Pezinhos de Coentrada
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Sou suspeito no que se refere à culinária Alentejana. E porquê? Porque tenho uma paixão gustativa pelos coentros pelo alho e pelo azeite, isto é, gosto de qualquer prato que leve estes três ingredientes.

Aprendi esta receita numa visita que fiz ao Alentejo há muitos anos atrás, e desde aí tenho alterado consecutivamente a receita para o meu gosto pessoal, por isso já não é justo chama-la de “Pezinhos de coentrada à alentejana”.

Mas vamos à receita. Para os pezinhos de coentrada são necessárias as patinhas de porco e costumo adquiria-las já cortadas, e já limpas no Nóbrega SA, por menos de 2.34€/Kg. Segundo alguns especialistas em culinária, um quilo de patinhas dá perfeitamente para 4 pessoas, mas sinceramente mais de metade do peso dos pezinhos são ossos, e como odeio levantar-me da mesa com fome, julgo que um quilo chega sim, não para quatro mas para duas pessoas.

O importante é coze-las muito bem, e como gosto de poupar energia, o bom mesmo é utilizar a panela de pressão. Deixe as patinhas a descongelar envoltas em sal de um dia para outro. No dia, sacuda o sal grosseiramente das patas, e deite-as na panela com água suficiente para tapa-las. Junte uma folha de louro, dois cravinhos da Índia e uma cebola grande cortada às meias luas.

O tempo de cozedura depende do gosto da cada pessoa. Eu gosto delas muito tenras e desossadas por isso deixo cozer por cerca de 30 minutos, mas, a Cristina gosta delas rijinhas pelo que 20 minutos chegam. Para os que nunca utilizaram uma panela de pressão, o tempo conta-se a partir do momento em que a panela começa a ferver e a disparar a pressão.

Ponha o cronómetro do telemóvel a funcionar, abra uma garrafa de um bom tinto alentejano para respirar, e comece a descascar 4 dentes de alho, isto é, dois por pessoa. Depois pegue num ramo de coentros frescos – porque congelados não prestam para nada – separe as folhas dos troços, pique os troços muito miudinhos e reserve as folhas também picadinhas para o fim.

Passados os trinta minutos desligue a panela de pressão. Num outro tacho deite os troços picados dos coentros com 20cl de azeite (~1/4 de uma garrafa). Deixe ferver o azeite por 5 minutos com os troços dos coentros e depois junte os dentes de alho picados, mexa por alguns minutos mas nunca deixe queimar o alho.

Junte depois as patinhas cozidas (com ou sem ossos) ao azeite com duas conchas do caldo da cozedura, verificando previamente o sal, e juntando opcionalmente um pouco água se o caldo estiver salobro ou muito gordo.

Deixe cozer por uns cinco minutos e entretanto num copo deite 4 colheres de sopa de vinagre branco com uma colher de farinha Maizena, misture muito bem, e junte depois ao tacho. Vá mexendo enquanto ferve e vai verificar que o caldo vai tornar-se mais espesso e brilhante, e quando estiver com um aspeto gelatinoso, deite as folhas cruas dos coentros e mexa tudo.

Desligue, e sirva logo.

Ao contrário da receita alentejana a minha receita não leva gemas de ovos, e costumo servir com uma fatia de pão de Rio Maior torrado com duas conchas de patinhas em cima e acompanhado com batatas fritas que “molhadinhas” no molho é de comer e de chorar por mais.

Como já se apercebeu é tudo muito salutar e o grande problema é que este prato é irresistível e não se consegue parar de comer, e por isso, e para os que têm problemas com o colesterol, recomendo uma caminhada a pé de 30 minutos para compensar a gula.