Praia do Porto Santo
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A convite de uns amigos estive cinco dias no Porto Santo, e o que parece ser banal para qualquer madeirense não é para mim. Julgo que é bom começar por explicar que tanto eu como a Cristina não temos a ilha do Porto Santo no topo da nossa lista de preferências como local predileto de férias. E para não enumerar todos os motivos, além do vento e do clima instável, o mais displicente é o facto de ser demasiado perto da Madeira e toda a gente conhecer toda gente, o que  restringe  a liberdade de quem pretende estar de férias no anonimato, porque há sempre alguém que nos conhece, que nos observa e que nos reprova.

Já não visitava a ilha há mais de cinco anos, e foi preciso o COVID-19 e o aniversário de uma amiga para decidirmos visitar este ano o Porto Santo. Na bagagem de mão levamos algumas peças de roupa, álcool gel, quatro pares de máscaras N95, e uma caixa de 10 comprimidos Vomidrine porque a Cristina costuma enjoar no Lobo Marinho.

Depois de uma viagem calma e duas imperiais lá chegamos ao Porto Santo onde já caiam algumas gotas de chuva. Sem surpresas o Porto Santo parecia igual a si próprio: parado no tempo e com a melhor praia de Portugal.

Nos dois dias seguintes e enquanto continuava a chover começamos a preparar a festa dos 60 anos da aniversariante, e como eu era o único cozinheiro com Estrelas Michelin, fomos ao Pingo Doce. E foi aí que tive a primeira surpresa. O Pingo Doce do Porto Santo é dos melhores que encontrei em Portugal e o melhor de toda a Madeira. E as surpresas não terminaram  por aí, ao contrário dos da Madeira, o do Porto Santo continua adotar as medidas rigorosas de contingência da pandemia da COVID-19, colocando um funcionário dedicado na porta de entrada desinfetando todos os cestos e obrigando os clientes a desinfetarem as mãos.  Muito Bem!

Mas se a área enorme do supermercado já de si era surpreendente, encontrar tudo o que queríamos foi inacreditável. Encontrei Chocos, mexilhões frescos, ostras, espargos e uma das melhores carnes de filete que comi nos últimos anos.

E para ser comedido, só pelo Pingo Doce e pela pizza familiar de 1 metro de diâmetro do Pizza Café  já valeu a pena visitar o Porto Santo.

Como continuava a chover e a praia era uma miragem dedicávamo-nos a comer, a beber, e a passear na praia. Mas se tudo correu bem nestas pequenas férias no Porto Santo, o pior mesmo foi a  Cristina regressar à Madeira com mais 700gr  e  agora estar a azucrinar-me os ouvidos pelo que comeu.

Uma palavra final para os funcionários do Café Apollo14 pela simpatia e pelo humor que demonstraram com a história da rolha no Brandy 970.

Aos anfitriões, o meu obrigado pelos belíssimos cinco dias de chuva!